
Uma relação que se sagra fiel: uma só sogra, uma só nora e uma sonora veia musical. Palavras densas dançam, faz-se samba das sombras, mambo das mangas, tango das tangas e todo barulho se embaralha.
Dos sons dos passos do percurso fez-se a percussão, seu eco, a repercussão, de quando foram dados descalços, superando todos os percalços até que se pusessem os calçados, pra dali o sapateado, e ademais os penteados da música pra fazer a cabeça.
Uma lâmina ilumina os pelos quando por ela friccionados, como cordas, emitindo notas como um violino. Dedos tocam e teclam músculos das costas como um piano, ombros vibram graves, libertos da dor aguda num solo-massagem. Ar faz de sax e tórax um só orgão...
Música-alimento, que já vem pronta pra pôr no prato, classificada na prateleira, para o meu pranto, para o meu lamento... Música de franja e de fama, de franquias de francos atiradores, da sílfide que fede, de quem confunde cifra e cifrão.
Hoje ainda música a remo, que 'navegabytes' pelas ondas ao rumo da conexão. Afinal, quem vai 'ceder' DVD vedado, 'cassete'! A Medida Provisória Nº3 (MP3) deixa-te livre pra ouvir as arpas nos Arcos da Lapa ou nas vitrolas do LP... Vem o fone para o fonema como a cena para o cinema e a música pra tocar na rádio e no tecido 'celular'...

Eu quero música pra ingerir, para que a próxima geração possa digerir e até mesmo sugerir uma nova versão, ou mesmo ter aversão ou virar do avesso, quero mesmo é que fiquem tocados, que saiam de suas tocas!
Minha música é de musa, é de massa, é de classe e sem gleba, que tudo engloba. É de ousadia pra violar o violão... Não há dó a rimar se não sei se faz sol lá, se não sei se vou solar sem a luz de uma tintura, sem a partitura da batuta do maestro, para que se aprenda mais uma escala na escola, para que se escute a cútis do trecho tatuado, o timbre dos tímpanos... Para que eu possa fazer uma sonata com uma só nota depois ler nas orelhas do Aurélio: ouvido ou vida...