domingo, 8 de maio de 2011

SER MÃE É PODER SER O PARAÍSO

Quando a gente é semente, na barriga, nem é gente ainda, já há afeto. A gente é feto, a gente chuta, a gente é chato, é de enjoar! E ela é só entrega, radiografa, é desejo, enchoval e nosso chá.
Passa o parto, o colo, o seio, dá um aperto no peito! Ela nos arruma pro colégio, ela nos prepara pro ilógico da vida. A gente não usa mais fralda, mas continua fazendo caca. Crescemos, mas devemos a ela muito do que somos. Ainda que, na sua crença, sejamos ainda meras crianças. Toda mãe deveria ser diva, tratada como uma dádiva. Toda mãe é santa: fortaleza e fragilidade. 
É de verdade! É divindade! A mãe do carrasco, a mãe do guarda, a mãe do árbitro, a mãe que balança o berço, a mãe que merece abraço! Não há como ser tão grato, não dá pra medir o grito desse amor sincero, o único que talvez será assim: Incondicional! Amor de filho, amor maternal!
Hoje o orfanato ficou finito, todos adotaram uma forma de dizer, na verdade, que este tipo de amor, mãe, este sim, traçado foi na maternidade. Ser mãe é poder ser o paraíso!

Texto de autoria de ALAN SALGUEIRO.
Foto de BRUNA JACUBOVSKI
Fica o link do blog da Bruna, que é fotógrafa profissional e faz um excelente trabalho temático com grávidas, partos, bebês e casais http://www.brunaaj.blogspot.com/

domingo, 17 de abril de 2011

EFEITO


Não faz efeito, não mais olfato, nem mais na foto nos vemos de fato, não mais oculto o desacato. Mesmo se for refeito se ainda se está refém, já não se defende, já não se difunde, só se definha o sócio-defunto. 
É feito uma infecção inflexível: nada mais apetece, nada mais acontece, nada diz tanto quanto à distância. A sub-instância da substância, é febre gélida que me devasta.
É droga que não bate, toca e  não se sente, um grito inocente que não berra de arrepio, que não dá um pio. Não o calor do calouro, mas o veterano: frio. E aí nos inveteramos, nos invertemos. Nos esverdiamos  numa moldura madura. Caímos de vez do pé, caímos aos nossos pés, suspeitos, a sós, ao SUS, azuis de fome, enfermos da branca paz.


Não aceito a receita do 'tiro e queda': chazinho e panos quentes na dor de cotovelos, na dor de cultivá-los. A contragosto, a contragotas, reprimindo o comprimido. A posologia me adverte com advérbios detentos, presos em tempo e intensidade: de 6 em 6 farpas, a cada 8 marcas, de 12 em 12 cordas, antes de cada foda, depois de cada fado um novo conto de fadas engarrafado. Pontual, pontiagudo, expurgante.
Repudio o remédio. Fico inerte, sem norte. Esquizofrênico, catatônico, apoplético! É pico na veia ou Aveia Quacker, a busca por um alívio qualquer. Certos cortes não secam, certos fortes sucumbem. 
Se antes afago, hoje a fuga. Antes veneno agora antídoto. Peco pelo excesso antes que você me peça pra cessar. As datas adultas ditam tudo, são anuladas minhas surpresas pouco práticas. Não por acaso, herdei um quebra-cabeça, pra fugir da masmorra, pra salvar do marasmo. 


Não defendo essa mecânica do coração como ferramenta, aberto com chave de fenda, fechado com ponto de finda. É aí que a ferida se torna querida, se celebra a chegada da chaga. 
Difícil admitir que perdemos para o desconhecido, ainda que óbvio, parece indigno: um semi-término, um cemitério. E o que fazer se me dizes que não há defeito, que não há de fato algo a ser refeito?

PRA LER OUVINDO: "Novos Horizontes" de autoria de Humberto Gessinger, gravado pelos Engenheiros do Hawaii em 2007.

domingo, 27 de março de 2011

Surto Reflexivo Autofelicitativo


Existem as redes sociais pra lembrar que você existe pelo menos dentro das redes sociais. Num ano desses troquei as datas, larguei de Peixes, virei Leão. Não faltaram as mesmas repetidas mensagens e toda aquela congratulação. 
Vou ali versar, cortar embróglios em fatias. Dessa vez a tia meu deu bolo, não fez o bolo porque trabalha à beça. Eu só queria abraços, menos abalos... Mas vieram à distância, a distância ao superlativo, como um completo supletivo por correspondência, conveniência. Como as lojas de posto, rapidinho, aposto!
Em vez do primeiro pedaço, celebrei o primeiro petardo, torpedo. Escute as palavras faladas-lidas, falidas, pouco válidas. Lida com as exclamações em negrito, tá tudo lá escrito, escrachado, como um mecânico recall, em forma de recado. Fez-se um mural pra dar moral, pra se curtir, pra se encurtar a relação testimonial.  
Eu refuto, reluto e relato a inércia, o silêncio, o estranhamento, o estrangeirismo, uma ilha e eu e a inquietação, inadaptação. Quanto mais sufixo, mais sufoco a ação. Sem festas ou manifestações, alardes e alaridos, preciso e preso apenas pela presença dos meus amigos. Aqueles de mais afeto e menos cliques, que não se carece dar nome, subir o tom... Eles sabem e são alguns poucos e bons. Quero opiniões, bifurcações e não o trivial. Quero sinônimos e os binômios do Melamed, o 'não se mede' universal.

Desejar o desejo: sopra a vela só pra vê-la. Faça um PERDIDO!  Cante para bens ou para maus. Pressinta o presente: a caixa dentro da caixa dentro da caixa e dentro dela, no fundo dela algum teor do fundo do coração do amor. Pragmatismo e mistério!
Seja leve e sexy! Olhar-avassalar o vosso lar. Invasão sem despir e dispor o disparar. O mirar fulmina. Full! Tudo! Mina! Boom! Feliz doçura e força! Meu docinho de coco tá me deixando forte! Sugar, oh heavy heavy!  Maria-Mole dura!
Agradecimentos! Não há grades nem cimento, mas castelos, ratinbuns de fantasia. Binômios, triênios: dois a mais pra cabeça, dois a menos pro corpo, contra a maré, feito a carpa. "Todo mundo quer cafuné, todo mundo quer querer, todo mundo tudo! Bom humor e inteligência pra você!"

Pra ler ouvindo: "El Desdichado II" de Lobão, do álbum Acústico MTV.