quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Pasárgada x Portão (ou A Dois Passos)



Essa é uma estória de se estar longe de casa há mais de uma semana, não a dois passos do... mas exatamente no paraíso. Aliás, tudo poderia ser resolvido com dois passos, imagine: Sua casa é o "Ponto A", o paraíso o "Ponto B" e entre eles um ponto médio "M". A cada ponto um passo, daí, do paraíso para casa são dois passos e vice-versa. Tão mais fácil...
Não queria dizer "bye-bye", tal qual a canção, hasteei a bandeira de Manuel Bandeira: "Vou-me embora para Pasárgada, lá sou amigo do rei.". Fui-me. No oásis fui a contramão da contradição: por nunca ter cedido aos hábitos e superstições populares sentia-me uma exceção. Por ter me rendido nessa oportunidade, fui exceção de mim mesmo, tudo fiz. Folhas de louro na carteira, sementinhas de uva devidamente guardadas anunciando algum vir-a-ser. Pulei as ondas, senti-me patético por fazer tudo aquilo que achava ridículo, mas fiz como antropólogo, confie!
Ás vezes temos que descobrir algumas sensações para descrevê-las e criticá-las como embasamento. Mas retiro tudo que disse se tudo der certo, creia ainda mais. Antes que eu me esqueça: não bebi antes de brindar, só molhei os lábios, disso estou quase certo.
O ano acabou, o ano começou e eu caí naquela velha armadilha do balanço comigo mesmo, dos consertos e das edificações, a angústia melancólica e a energia de se começar novamente do zero, ou melhor, do um, do um do um, pra ser mais preciso
.
Drummond mesmo já dizia: "Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança fazendo-a funcionar no limite da exaustão". A gente acaba precisando mesmo de ciclos, degraus, estágios, uma reta só cansa por demais, vira maratona. Gostamos dessas quebras, intervalos, pontos médios, só pra voltarmos à Geometria.



Na volta, a bandeira de Pasárgada não parou de tremular, estranhou-se tudo. A lembrança era forte, fazia um arraial em meus pensamentos. Não tinha aquela alegria do "Portão" do Roberto Carlos: "Eu cheguei em frente ao portão, meu cachorro me sorriu latindo, minhas malas coloquei no chão e voltei. Tudo estava igual como era antes, quase nada se modificou, acho que só eu mesmo mudei e voltei."
Aqui a cachorra não me sorriu, nos trombamos em estranheza mútua, ela rosnava. E essas paredes? Esse computador? Não me reconheço também nessa morenisse, mas confesso que gostei do resultado. Com as pessoas de casa estou mais paciente, acho que essas férias baixaram minha guarda e despertaram o único saudosismo do que deixei.
Não sei se Freud explica, mas acho que realmente só eu mesmo mudei, ou mudou a mente. Aqui não me encontro, preciso de tempo para readaptar-me. De lá trouxe o encanto, o amor, pois pra lá também levei, este nunca me deixou.
Nossas ligações encontram-se no Equador da gente, mesmo que cada um surja de um Pólo diferente. Deixa que eu lavo as louças, ela faz meu ovomaltine quente. E ela está comigo, no portão ou no paraíso. E por assim ser, talvez o paraíso seja ela.
E voltei.

6 comentários:

Renatta Fassarela disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Suelen disse...

É lindo ver o encaixe entre palavras e sentimentos que você faz! Belíssimo!

Beijo querido!

Márjorye disse...

Alan querido, mais uma vez o post está fantástico, vc sabe usar palavras como poucos sabem... e conseguiu expressar com este post o que eu tbm sinto ao ter que voltar pra casa depois de uma temporada no "paraíso", que acho que pela foto é o mesmo que vc estava, cabo frio? era lá que estava? e realmente precisamos de superstições para termos esperânça que tudo irá ser melhor, diferente, e que nós tenhamos forças para lutar sempre mais pelos nosso ideais...
parabéns pelo post... bjos... Maju =D

Hélder Dias disse...

That's my boy!

Dedê disse...

ó amigo!
que coisa mais sensacional esse texto.
realmente dá pra sentir todo o amor, dá pra imaginar como foi tudo, sentir a brisa, imaginar as ondas do mar, o sabor do champagne... lindo lindo!!!

imaginei tudo...
afinal, adoro usar a imaginação e construir sonhos.

beijos!!

Bruna disse...

isso é mto lindooo
amei mesmo a parte do "Eu cheguei em frente ao portão, meu cachorro me sorriu latindo, minhas malas coloquei no chão e voltei. Tudo estava igual como era antes, quase nada se modificou, acho que só eu mesmo mudei e voltei."
aauhsuahsuas..
mais imagino q realmente foi mto bom no paraiso logo.. e ainda com o amor..
ameii Alan...
conseguir imagina tu etrando em caasa e tua cachorra rosnando pra ti hasuhaushuahs
;**